quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O que pode acontecer quando não se ensina ter limites

O que pode acontecer quando não se dá limites:

Kelly Renata Risso Grecca
Daniela Parollo Gusman


1ª Etapa-Descontrole emocional, histeria, ataques de raiva

É normal na criança pequena (5-6), que ainda não tem nenhuma noção de valores, não sabe o que é certo e o que é errado.
O trabalho adequado nesta fase para impor limites consiste em incentivar as atitudes positivas e criticar as negativas, com o passar dos anos a criança terá aprendido as regras básicas da convivência e iniciado de forma sólida o processo de socialização (prontidão para conviver).

E se por insegurança, culpa ou medo os pais deixam de exercer essa atividade, o que ocorre? A tendência é que a criança tenha dificuldades para aceitar qualquer tipo de limite a seus desejos.

 A criança que é atendida em tudo sempre que chora e esperneia tende a perpetuar esse tipo de conduta.

 Começa a apreender a controlar o mundo através do grito, e depois talvez pela violência e agressão.


2ª Etapa-Dificuldade crescente de aceitação de limites

 Sem orientação e sendo atendida sempre que bate, grita, esperneia, a criança vai adotando essa mecânica como forma de comunicação e controle do mundo e das pessoas.
Ex: Criança joga o prato longe dizendo que não quer mais comer, e a mãe, com carinho, mas com firmeza adota um ar desaprovador e fala: "isso não está certo, quando você não quiser mais, não coma, mas não jogue o prato no chão" ela vai entender que esta é uma ação que os outros desaprovam. Se, a cada vez que tiver atitudes deste tipo, a mãe agir da mesma forma, aos poucos abandona esta atitude, assumindo outra que dê um retorno afetivo positivo.

 Aprovar o que a criança faz de bom, e reprovar (não agredir e humilhar) e não estimular atitudes negativas, destrutivas ou agressivas.

 Mas lembre-se, esse processo é longo, existem pais que são muito imediatistas, e em educação não dá para ser assim.


Regra Básica

 Premiar e recompensar as atitudes positivas e ignorar ou reprovar as atitudes negativas.

3 Etapa - Distúrbios de conduta, desrespeito aos pais, colegas e autoridades, incapacidade de concentração, dificuldade para concluir tarefas, excitabilidade e baixo rendimento.

 Lembre-se que fazer só o que se quer é muito mais agradável do que fazer o que se deve ( lógica infantil).

 Inicialmente a criança era tida como lindinha, tão cheia de personalidade, mas que nesse momento, estão achando a própria vida difícil de ser vivida com esse reizinho, insatisfeito, mandão e pronto para brigar o tempo todo, um verdadeiro tirano.

 A escola não o suporta mais, não respeita autoridades, e difícil convencê-lo a fazer a tarefa, respeitar a fila, aguardar a sua vez...vizinhos vem a sua casa e acusam seu menino, de ter arranhado o carro novo na garagem...

Exagero? A criança que não aprende a ter limites cresce com uma deformação na percepção do outro. Só ela importa, o seu querer, seu bem estar, o seu prazer.

Conseqüências:
 Desinteresse pelos estudos
 Falta de concentração
 Falta de capacidade de suportar dificuldades
 Falta de persistência
 Desrespeito pelo outro.

4ª Etapa - Agressões físicas, descontrole, problemas de conduta, problemas psiquiátricos

 Se os pais agem quando a criança está ainda na 1a. etapa ( ataques histéricos, birra ), a criança vai aprendendo a se conduzir na sociedade, internalizando valores, adquirindo respeito por si e pelos outros, vai experimentado o diálogo, sem necessidade de agredir, nem berrar e ofender.

 Se também não intervirem na 2a. etapa (dificuldade de aceitar limites de forma crescente), a tendência é que a criança comece a ter problemas de comportamento e de ajuste social.

 A situação fica mais dramática se acrescentarmos ainda uma personalidade agressiva, com baixa auto-estima, insegurança ou com potencial genético para desenvolver uma doença psiquiátrica.

 Existe uma relação direta da falta de limites com a distorção do mundo, que pode levar a marginalização, ao álcool e as drogas.