Todo professor deveria ser, em primeiro lugar, um especialista em gente. Depois, um educador. Em terceiro lugar, um professor. E, por último, um professor da disciplina “x” ou de alunos da série “y”. Já passou o tempo em que um professor precisava apenas ser um especialista no conteúdo a ser transmitido. Esse tipo de postura mantinha os alunos numa posição que a Psicologia chama de “passiva aceitante”. É a postura dos escravos, da população que serve de “massa de manobra”, dos “pseudo-cidadãos”.
Para interagir com os alunos de forma a potencializar a aprendizagem, a autonomia, a independência de pensamento e uma postura pró-ativa perante a vida, é necessário deixar de ser um transmissor para ser um mediador.
E um mediador precisa saber como a as pessoas “funcionam”, como agem e reagem. Precisa conhecer as razões que levam os alunos a agir ou deixar de agir.
Essas orientações são fundamentais numa compreensão de como os alunos são, quais são seus medos, seus valores, suas motivações e contradições. A grande maioria dos professores é bem intencionada, quer acertar, quer dar o melhor aos seus alunos, mas nem sempre tem sucesso. Falta-lhes uma compreensão maior a respeito do ser humano e da forma como as relações interpessoais são construídas ou vividas.
A formação universitária não dá conta de todas essas nuanças. É preciso investir na formação continuada em serviço. Os professores precisam participar de grupos de estudo, de cursos, palestras, congressos e outros eventos que possam despertar a reflexão. Refletir sobre a prática de sala de aula permite a um professor mudar sua forma de agir.
MARCOS MEIER, professor de matemática, psicóloga, mestre em educação