O que faz um país ser rico ou pobre?
Uma primeira resposta se busca na Geografia. Os países ricos são territorialmente extensos ou espacialmente minúsculos? Não. Nem uma coisa e nem outra. Existem países extensos e muito ricos e outros muito pobres, existem países de reduzida extensão territorial que são paupérrimos e outros que nadam em fortunas.
Seria, então, a História?
Também não. Há países, como o Egito e a Índia, que existem há mais de 2000 anos e são muito pobres, e também outros muito antigos e bem ricos. Por outro lado, há países essencialmente ricos que não possuem mais que 150 anos, como existem muitos outros países jovens extremamente pobres. Volta-se, então, à Geografia: seriam, por acaso, as riquezas naturais?
Mais uma vez a resposta é negativa. Existem países, e o Japão é um belo exemplo, que possuem territórios pequenos, montanhosos, péssimos para a agricultura e inviáveis para a pecuária, mas que são muito ricos, como também o é a improvável Suíça que, sem oceano, possui notável frota náutica e sem cacau produz magnífico chocolate. Não são poucos os países com abundantes recursos naturais, marcados pela indigente miséria de um infradesenvolvimento cruel.
Como nem a História, nem a Geografia respondem o que torna rico um país, busca-se amparo antropológico.
Seria, por acaso, a inteligência humana dos que o habitam?
Ainda uma vez é negativa a resposta, pois existem multidões de estudantes de países pobres que emigram para países ricos e surpreendem pelos resultados exuberantes que alcançam. Há também altos executivos de países ricos que se surpreendem com a criatividade e a argúcia de operários de países pobres. Na mesma antropologia busca-se a razão racial e também a resposta não aparece. Existem cientistas brilhantes em todas as etnias, como em todas há pessoas marginalizadas pela indolência e pela ociosidade.
Será, então, que não existe resposta?
A resposta existe sim e é fácil identificá-la. A riqueza de um país se escora nos valores que sua população cultiva e que suas escolas ajudam a construir.
Não constitui coincidência perceber que em todos os países ricos a explícita valorização da moral, a busca da ordem e da limpeza, o apego à pontualidade e integridade pessoal. Existe amor ao trabalho, respeito às leis e aos regulamentos e existe consciência de que qualidade de vida se constrói e moderação nos hábitos se aprende. Se esses valores erguem-se como pilares de sustentação de qualquer país rico, independente de onde esteja sua ausência revela a pobreza, tanto mais indigente quanto mais distante desses ideais a população se colocar.
O Brasil não é pobre por sua História ou por sua Geografia, não o é pela marca de uma antropologia perversa. Somos pobres, entre outras razões, porque nossas escolas particulares ou públicas transmitem currículos eivados de uma porção de inutilidades e se mostram negligentes em investir em uma verdadeira pedagogia dos valores, materializados nas disciplinas curriculares. Precisamos sair da pobreza nos transformando, e se não é nas escolas que aprendemos a nos transformar, onde será que esses procedimentos se pregam e se aprendem?
CELSO ANTUNES (Mestre em Ciências Humanas)