sábado, 23 de janeiro de 2010

CAPACITAÇÃO DOS PROFISSIONAIS NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA E O CURRÍCULO INCLUSIVO

Na perspectiva de uma escola inclusiva, os professores não podem duvidar das possibilidades de aprendizagem dos alunos, nem prever quando estes irão aprender. A deficiência de um aluno também não é motivo para que o professor deixe de lhe proporcionar o melhor das práticas de ensino e, também, não justifica um ensino à parte, individualizado, com atividades que discriminam e que se dizem “adaptadas” às possibilidades de entendimento de alguns. O docente deve partir da capacidade de aprender desses e dos demais alunos, levando em consideração a pluralidade das manifestações intelectuais. A aprendizagem, além disso, é imprevisível; por isso, não cabem as rotulações e categorizações para distinguir um educando do outro por sua capacidade intelectual. O professor precisa considerar que cada um é um ser em constante “vir a ser” e que precisa de liberdade para produzir livremente o conhecimento, no nível em que for capaz de assimilar um tema ou assunto de aula.
O primeiro ponto para se entender a aprendizagem é ter clareza de que todo aluno é capaz de aprender. No entanto, cada um o faz dentro de seu próprio tempo e por caminhos diferentes.
Dessa forma, o objetivo do ensino não é perseguir a igualdade de levar todos a chegarem a um nível de desenvolvimento padrão. Por mais que se tenha sido imposta a idéia de que as turmas devem ser homogêneas, o que as move é a heterogeneidade, a multiplicidade e a complexidade. É pela inclusão escolar que podemos criar, dentro de nossas escolas, um ambiente múltiplo e complexo e é com essa realidade que precisamos saber lidar.
A educação é a oportunidade dos sujeitos se emanciparem intelectualmente, quando há espaço para a dúvida e a construção do conhecimento. Dessa forma, garantir o acesso a este não é garantir a igualdade diante de um conhecimento que não desafia que não coloca a dúvida como mola propulsora para se conhecer. Não é o conhecimento que emancipa, mas a forma como lidamos com ele e como o construímos.
A escola pode servir a uma ciência morta que faça com que seus sujeitos sejam classificados em capazes e incapazes, ou a uma ciência que nos ensine sobre as diferenças humanas e nos faça entender os diferentes modos de aprender.
A aprendizagem sugere dúvidas, acertos, erros, avanços, descobertas. Suas fases não são lineares e constituem processos coletivos e ou individuais; daí a importância do grupo e da colaboração entre os alunos da turma. Quando o conhecimento está imerso em uma rede de significações, efetivamente se aprende, seja em grupo, seja individualmente.
O advento da inclusão, então, faz emergir a multiplicidade e a complexidade do mundo e do interior de nossas escolas, que impedem que os alunos continuem a memorizar e a repetir, sem significado, aquilo que o conhecimento universal e hegemônico lhes impõe.
(Rosângela Machado- mestre em educação)